O Grupo de Investigação sobre Mediação Digital e Materialidades da Literatura, no âmbito do Centro de Literatura Portuguesa, organiza-se em torno de três eixos de pesquisa: 1) EX MACHINA: Inscrição e Literatura, 2) RE CODEX: Formas e Transformações do livro, e 3) VOX MEDIA, até aqui subintitulado “O Som na Literatura”.
Por razões de teor epistemológico, que se prendem com a indeterminação e latitude excessiva do tema do “som”, o projeto VOX MEDIA passa a focar-se no estudo d’ “A Voz na Literatura”, aliás e, de facto, o seu âmbito desde sempre. Esta especificação não obsta a que, em regime tangencial ou sempre que a temática da voz o solicite, uma expansão do âmbito do projeto para os territórios do som se venha a verificar. Trata-se apenas de optar por um foco mais decidido no fenómeno, de resto vastíssimo, da Voz.
O projeto foi, pois, objeto de um esforço de redescrição, nos termos do texto que em seguida se publica. Este esforço, a que se seguirá a divulgação de uma série de iniciativas a realizar ao longo de 2021, assinala uma nova fase do projeto, que se pretende a um tempo mais aberto (o que pressuporá uma maior insistência na divulgação, mas também no acolhimento de colaboração de pessoas exteriores ao projeto) e mais focado na tradução dos trabalhos dos seus membros em publicações e, a prazo, na criação de um arquivo digital de registos sonoros de práticas literárias e performativas, cuja urgência vai sendo manifesta.
Almada Negreiros intitulou “Começar” a obra central da sua fase tardia. Sem tanta história, mas com quase tanta juventude quanto Almada, VOX MEDIA começa agora de novo. Vocês ainda não (ou)viram nada…
VOX MEDIA: A Voz na Literatura
Descrição do Projeto
A naturalidade com que a ideia de literatura se traduz na ideia de texto e, esta, em «letras impressas em papel», é provavelmente responsável pela versão unilateral que o senso comum, bem como a doxa crítica, a todo o instante transmitem da relação do leitor com ela: a literatura é algo que se lê em silêncio. Ou melhor, a literatura é um texto que devém livro por meio de um processo de inscrição que, também ele, se torna invisível, uma vez que a materialidade do texto se anula em função daquilo que nele se transmite: ideias, significados, sentidos, enfim, conteúdos. Continue reading →