Livros & Companhia: sessão 4, com José Maria Vieira Mendes

Foto de João Duarte

A sessão 4 teve como convidado José Maria Vieira Mendes, dramaturgo, tradutor e agora ensaísta. O ‘agora’ reporta-se à recente edição do livro Uma coisa não é outra coisa (Livros Cotovia), sua tese de doutoramento, um livro que rima com o segundo volume da sua obra dramática, Uma coisa (Livros Cotovia), de edição também recente, volume que faz de José Maria Vieira Mendes o mais importante dramaturgo português da atualidade.

José Maria escolheu Undoing Gender, de Judith Butler, como livro da sua eleição, e relacionou as teses da autora com o seu trabalho no teatro e com a questão do género na cultura e política contemporâneas. Em seguida falámos longamente do seu ensaio, que no fundo defende uma posição algo intempestiva, na atual cena dos estudos teatrais: basicamente, o seu direito a ser lido como autor de “literatura dramática” e o direito a que os textos dramáticos sejam considerados como algo que não se destina apenas à cena (teatral) mas também à (cena da) leitura. Esta reivindicação, que a cultura dos estudos teatrais em Portugal facilmente recodifica em “conservadorismo”, depara-se, no caso de José Maria, com o problema da inserção do seu trabalho numa companhia tão experimental como o Teatro Praga.

Foto de Elsa Gomes

A discussão foi tão absorvente que não se apresentou mais nenhum livro, o que acabou por chamar a atenção para as muitas qualidades do ensaio de José Maria, pois Uma coisa não é outra coisa é um dos grandes ensaios publicados em Portugal, no domínio dos estudos teatrais e dos estudos literários, nos últimos anos.

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