MATLIT: o som na literatura

Acaba de sair o nº 1 do volume 5 da MATLIT. Materialidades da Literatura. O número parte de um dos projetos de pesquisa do Programa de Doutoramento em Materialidades da Literatura, que explora a questão do som na literatura, projeto responsável já pela organização de um colóquio, em 2015, pelo site Vox Media (gerido por Nuno Miguel Neves) e pelo programa da RUC (Rádio Universidade de Coimbra), Hipoglote (produzido por Tiago Schwäbl). Reproduzo aqui o texto que anuncia a revista no site do referido Programa:

“Foi publicado o Volume 5.1 (2017) da revista MATLIT: Materialidades da Literatura. Este número, organizado por Osvaldo Manuel Silvestre e Felipe Cussen, intitula-se “Vox Media: O Som na Literatura”. Além da secção de artigos de investigação, esta edição especial inclui uma seleção de quinze obras sonoras com curadoria de Nuno Miguel Neves e Tiago Schwäbl. As obras selecionadas vão desde poemas e narrativas sonoras a paisagens sonoras e remisturas, incluindo gravações dos seguintes autores: Américo Rodrigues, Alfredo Costa Monteiro, John Bennett, Juan Angel Italiano, Luis Bravo, AG Davis, Álvaro Seiça, Ryan Wade Ruehlen e Mark Amerika, John F. Barber, Jessica Barness e Vince Giles, Sandrine Deumier e Philippe Lamy, Ryan LaLiberty, Vladimir Vladda Miloykovitch, Sara Pinheiro e David Prescott-Steed. Na secção de entrevista, os leitores encontrarão a transcrição de diálogos entre cinco autores chilenos: Martín Bakero, Pía Sommer, Felipe Cussen, Federico Eisner e Fernando Pérez.

Todos os textos se encontram disponíveis em formato html e pdf. Os ficheiros áudio estão disponíveis em streaming e para download. A MATLIT adota uma política de acesso integral livre, podendo todos os textos ser lidos em linha ou transferidos para uso pessoal. O acesso pode ser feito a partir do índice geral.”

Com este número, o projeto “Vox Media. O som na literatura” estabelece uma parceria internacional com um importante investigador chileno na área das práticas sonoras, Felipe Cussen, parceria que esperamos se venha a alargar no futuro, na América e na Europa.

O número deve-se, em grande parte, ao trabalho de Nuno Miguel Neves e Tiago Schwäbl, na seleção de obras sonoras. E ao trabalho de Sandra Bettencourt na gestão do fluxograma da revista. Mais uma vez, porém, a intervenção de Manuel Portela foi insubstituível. A partir do próximo número, e também por ser de elementar justiça, a revista passará a ser dirigida apenas por Manuel Portela.


Carlos de Oliveira na Colóquio-Letras: espólio e ensaios

Saiu recentemente o nº 195 da revista Colóquio-Letras, que inclui um dossiê temático sobre Carlos de Oliveira. Fui o coordenador do dossiê, que contém ensaios, inéditos e depoimentos. A secção de ensaios inclui três relacionados com o espólio – o meu, intitulado ‘A poesia póstuma de Carlos de Oliveira’, sobre a questão do arquivo, o de Rui Mateus, ‘Reescrever o definitivo’, sobre as traduções de poesia realizadas pelo poeta, e o de Ricardo Namora, ‘Uma outra Finisterra para Carlos de Oliveira’ -, e ainda dois sobre aspetos diversos da obra do autor: o de José Geraldo, ‘Dizer a poesia de Carlos de Oliveira: Maria Barroso e Manuela Porto’, e o de Clara Rowland, ‘Quadros do mundo’, uma aproximação de Finisterra. Paisagem e Povoamento a O sol do marmeleiro, do cineasta espanhol Victor Erice.

O dossiê inclui ainda inéditos – um texto sobre João José Cochofel e cartas a Benjamin Abdala Júnior e Giulia Lanciani – bem como depoimentos.

O volume foi objeto de um lançamento no Museu do Neo-Realismo, a 6 de maio do ano corrente, com a presença de Nuno Júdice, diretor da revista, e a minha. Na ocasião foi exibido o filme «Cinema», de Fernando Lopes, produzido para a Porto Capital Europeia da Cultura, em 2001. Filme muito raramente visto, sobre o Teatro Sá da Bandeira, no Porto (que a câmara percorre em panorâmicas e travellings inesquecíveis), mas também sobre Aurélio Paz dos Reis, conclui com a leitura, por Isabel Ruth, em cima de uma grua, e a meio do palco, do poema ‘Cinema’, de Carlos de Oliveira.